Ponto e Basta.
Em uma mão te trago flores
Na outra entrego meu coração
Ainda pulsante e lavado por sangue
Que você converteu, quente de desejo
Ao mesmo tempo frio de desamor
E com você tudo é nada
Pois comigo é tudo e mais nada
E a vista do seu rosto quem eu sou?
Quanta mentira é o amor
E quem disse que não gosto de mentir
De me esquecer nos teus olhos?
Eu te quero de todo jeito
Sendo minha pelo avesso
E te falando pra todo sempre
”Que estás convertida, guarnecida e adorada”
E é assim que eu te amo: ”não me querendo, ponto e basta”.
Felipe Acácio.
O Segurança e a Enfermeira.
O segurança do consultório
Escondia um amor notório
Pela enfermeira do hospital
Com amor nas gargantas
Corações e flores
As escondidas se olhavam
Atrás das portas se amavam
A enfermeira toda fasceira
Aplicava injeções de amor
E o segurança sem eira nem beira
Como um rei a conquistou
Ele a protegia de todo o mal
Ela o curava de magoas ainda em feridas
E neles o amor crescia,crescia
E carecia de uma vida imortal
Todos já sabiam
Daquele romance ‘secreto’
Mas eles ainda escondiam
Aquele amor concreto
Visível só por quem já amou
E sonhou,sonhou.
Felipe Acacio.
Um Pouco Mais de Tudo.
Nesse mundo que definha
Adivinha o que é que falta
Palavras vomitadas de tamanha desgraça
Menos hipocrisia e falsidade, mais rock, mais atitude Um pouco mais de tudo
Tirar o controle da felicidade humana
Das mãos piedosas de Deus
E entregá-lo ao ser humano
Talvez assim o mundo fique mais soberano
E em um olhar mais pessimista, ainda que realista
Vai haver gente sem preparo
Pra o controlar a própria felicidade
E esse pedido são para os desgraçados, miseráveis E de coração congelado
”Trate as feridas oprimidas
De quem não tem dignidade
E controle toda a felicidade
De quem não tem tom nem tino pra viver
Mostre que o destino não está palpável nas mãos
E que o amor está tão vizinho”
Só precisamos de um pouco mais de tudo
E uma vida boa, um tanto mais atoa
Pra tudo acontecer.
Felipe Acácio.
Prato Sem Comida.
Se carece
De uma prece
De um prato
Cheio de comida
Se atire no lago
Do lado do largo prato de comida
E no Brasil
Só um problema
“Café,almoço e janta”
E se a vida é pequena
Pra parar a fome
Delírios, frios e calafrios
Que tal a morte?
Morte pra matar a fome
De quem nunca come.
Felipe Acácio.
Extremos.
Nesse mundo dividido
Partido por diferenças
Pretendo conciliar extremos como
A carne e o espírito
O pecado e o perdão
A juventude e a velhice
A razão e a emoção
E por consequência
Transformar a tristeza em algo bom
E num tom de desejo
Limpar os esgotos
Que a gente sujou
Mesmo com xingamentos baratos
Passos incrédulos de amor e ódio
Me atiro em cheio
Em não especificar
Não dividir, apenas agregar
Mudar todo esse estado careta
Em algo verdadeiramente humano
Salvando vidas embebidas pela morte
E dando um coração
À quem tem um grão em corte.
Felipe Acácio.
De nada vale.
De nada vale um abraço
Se não for entregue com amor
Com a mesma alegria que recebe-se uma flor
Um abraço apertado
Um carinho ganhado
Com tamanha paixão
De nada vale um sorriso
Se não for cedido com sinceridade
Que não engana nem mata a verdade
Um sorriso delicado
Um olhar apaixonado
De quem quer amar
De nada vale morrer
Se não for por um amor
Amar não mata de verdade
Só mata de saudade
E do medo da liberdade
Que pra ela entregou
De nada vale chorar por alguém
Se não houver o ‘eu te amo’
Que não envelhece com o passar do ano
Um chorar soluçante
Uma lágrima berrante
De tanta emoção
De nada vale um beijo
Se não escutar os pássaros cantarem
Os prazeres raros
Que só um beijo tem
Só um beijo tem.
Felipe Acácio.
A Procura de Você e Embusca de Mim.
Você fugiu de mim
Viajou pra longe
Levando consigo meu coração
Agora caminho por todo o sertão
A procura de você e embusca de mim.
Tento chamar por nós, mas é impossível
Você raptou minha voz
E todas as palavras bonitas
Dedicadas à você.
Meu bem, vem mais pra perto
E não esqueça de me trazer junto
Me deixa gritar ao mundo
”Que eu sou teu”
Aonde está você e eu?
Não finja que não me ouve
Nem minta que não me ver
Minha alma está com você
E nas tuas mãos meus olhos com lágrimas
E nos teus ouvidos minha voz
Sussurrando pelo avesso
Tristezas de nós dois.
Felipe Acácio.
Amar Sem Pudor.
O amor é um fado popular
E pra tê-lo basta se entregar
Num olhar que sabe te dizer
‘O quanto eu vivo pensando em você’
No peito aberto
Vai pra perto
E não parcele o seu amor
Pra quê pudor? Pra quê pudor?
Entrega-se por inteira
Na beira da cachoeira
E esqueça toda dor
Ame sem medo, se descobre sem erro
Em cores de paixão pujante
Procure ser amante
E encontre o tal galante
Que pescou o seu olhar
E se achar que amar é um fardo
Então, tudo se finda
Nem tu te tornas linda
Ao olhar de um vagabundo
Você é um mistério guarnecido
Pra quê deixar morto, a beira do porto
um amor bem parecido
Vai, assim congelando seu coração
E acostumando-se só, se perdendo em você
Até se entregar à solidão.
Felipe Acácio.
Reflexo de Você.
É tão bom acordar cedinho
E ver seus olhos, negrinhos
Olhando pra mim
Anoitinha, depois de tanto me olhar
Você sai mansinha sem me avisar
Então eu durmo te amando
E você se diverte beijando
Outro que não seja eu
De madrugada, você chega cansada
E não deixa de me dar aquela espiada
Que algum segredo escondeu
Deita calada, suspira apaixonada
Enquanto eu admiro toda a sua beleza
Mas que tristeza ter apenas uma bela moldura
Um amor que não perdura
Ser apenas o reflexo de você
Mas quem dera eu
Poder receber seu beijo vermelho
Você é uma bela garota
E eu o seu simples espelho.
Felipe Acácio.
Desalento, suspeito, perfeito.
Desalento, suspeito, perfeito
O meu único defeito é te amar
Te nego, te pego, te levo
No eco de te chamar
Canta, encanta, espanta
Ao som do Samba
Parece flutuar
Lenta, contenta, atenta
Não senta nem pra descançar
Gente contente e carente
Em todo continente
Só querem te olhar
Sambando, amando, flertando
Só estão esperando
Um sorriso brilhar
E na noite finda
Você ainda linda
Um adeus nos dar
E no meu
Desalento, suspeito, perfeito
Ainda o meu único defeito
É te amar.
Felipe Acácio.